A ADORAÇÃO VERDADEIRA
Quando
pensamos em adorar a Deus, geralmente imaginamos algo que emana de nós afim de
expressarmos louvor às qualidades de Deus. Seja através da música, do serviço,
da oração ou de outra forma de expressarmos adoração, pensamos que o louvor é
original conosco. A adoração verdadeira é produzida pelo homem e dada, com os
devidos merecimentos, ao único Deus vivo e verdadeiro? Será essa a verdadeira
adoração que Deus deseja receber do homem?
É muito claro o que Deus procura no assunto de adoração. Ele quer ser
adorado em "espírito e em verdade"A adoração que agrada a Deus não é
produto dos esforços do homem natural mas fruto do Espírito Santo que está no
novo homem. Isso é o que significa "adorar em espírito".Só o que é
produzido por Deus é aceito por Ele pois o que o homem natural toca, suja. Para
podermos adorar a Deus verdadeiramente temos que estar "em espírito",
movidos e feito por aquela nova natureza nascida de Deus no crente. Isto seria
visto naquele que é separado do mundo e obediente à Palavra de Deus. A adoração
movida pelas emoções da carne e pelas maneiras e métodos de culto inventados
pelo homem, mesmo que sejam dirigidas a Deus, são vãs e não aceitas por Deus,
pois não são dEle. O que Deus aceita é feito por Ele e evidenciado pela
santidade, silêncio, temor e por uma crescente obediência (Sal 97:10; Hab.
2:20; Mat. 7:21; Rom 8:27; Fil. 1:6; 2:13).
Estando
a adoração verdadeira dividida em dois pontos (espírito e verdade), devemos
entender que um não existem sem o outro. Importa a Deus que os que O adoram O
adorem tanto em espírito quanto em verdade. Se adoramos o Senhor somente em um
ponto, estamos adorando incorretamente. A Bíblia é a única regra de fé e ordem
para o crente e isso também vale para a adoração. Tendo a adoração verdadeira -
em espírito e em verdade ,o cristão pode adorar durante um dilúvio,
peregrinação no deserto, na fornalha, na cova dos leões, em prisões ou exilado
em uma ilha. Não é necessário microfones, música talentosa, cerimônia,
sorrisos, ambiente agradável, uniformes ou prédios lindos. É necessário
estarmos em Cristo e Ele em nós é isso se evidencia em uma vida obediente.
Cristo
é a Verdade (João 14:6). O que Deus produz pelo Seu Espírito traz à lembrança o
que Cristo ensinou (João 14:26) e testifica de Cristo (João 15:26). A adoração
verdadeira nunca pode agir contrariamente aos ensinamentos de Cristo ou
exemplificar outra vida se não a de Cristo. Se Cristo é a verdade, tudo que
agrada a Deus deve estar em conformidade a Ele pois o Pai se compraz no Filho
(Mat. 3:17 ; 17:5).
A armadura de Deus
O grande tema da carta do
apóstolo Paulo aos Efésios é o propósito de Deus de estabelecer e completar o
Seu corpo, a igreja de Cristo.
Ele inicia explicando sobre:
·
a nossa posição em Cristo;
·
o que acontece quando recebemos nossa nova vida
em Cristo;
·
sobre si mesmo como apóstolo, e,
·
faz uma oração por nós.
Depois ele passa a esclarecer
sobre o corpo de Cristo, a unidade da Igreja, em como deve ser o nosso novo
proceder.
A partir de então, Paulo mostra
como deve ser a vida em comunidade, a comunidade cristã, e vários deveres
dentro do lar, ou seja, a subordinação mútua de todos na família cristã.
·
deveres do casal;
·
deveres dos pais;
·
deveres dos filhos;
·
deveres dos empregados;
·
deveres dos patrões.
No final, um conselho, quase uma
ordem, ou seja, um dever sobre usar a armadura de Deus.
Porque será que o apóstolo Paulo,
que vem falando de coisas peculiares `a vida cristã no lar e na Igreja, termina
com uma vestimenta tipicamente militar?
A
proteção aos crentes
Em Efésios 6:10 a 20, temos a
convocação para buscarmos poder espiritual, o poder de Deus, e nos revestirmos
de Sua armadura.
(vrs 10) – fortaleçam-se no
Senhor e no Seu poder
(vrs 11) – vistam toda a armadura
de Deus
(vrs 13) – vistam toda a armadura
de Deus
(vrs 14) – mantenham-se firmes:
·
(14) cingindo-se
·
(14) vestindo
·
(15) tendo os pés calçados
·
(16) usem o escudo
·
(17) usem o capacete
·
(17) e a espada
·
(18) orem tendo em mente...
·
(19) orem também por mim para que, permanecendo
n’Ele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.
Esse poder nos é conferido
através da influência e da operação do Espírito Santo; consequentemente, a
busca pelo Senhor nos supre deste poder.
O poder é outorgado à alma,
transformando-a segundo a imagem de Cristo (II Coríntios 3:18), assegurando a
vitória do crente e a derrota dos poderes malignos que visam destruir a imagem
de Cristo em nós. Trata-se da renovação da mente (Efésios 4:23) e do
revestimento do novo homem (Efésios 4:24), que é ser cheio de Espírito Santo
(Efésios 5:18). É como se Paulo tivesse dito: "Tornai-vos poderosos por
esses meios".
Tal poder é de Deus e na Sua
força obteremos a vitória.
Vitória contra quem? - Efésios 6: 10 a 12
Vitória usando o quê? - Efésios 6: 13 a 20
Assim como o poder é de Deus,
também o é a armadura, que são as armas de ataque e de defesa, as quais que Ele
nos confere para o combate contra os nossos inimigos - as hostes demoníacas de
Satanás - sempre preparados para um combate mortal.
Essa armadura compõe-se da
verdade, da retidão, do poder do Evangelho, da fé, dos poderes inerentes à
salvação, da operação íntima do Espírito Santo, que nos conduz na direção de
nossa herança, e também da Palavra de Deus, ou seja, Sua mensagem remidora e
fortalecedora em Cristo, com as suas muitas provisões.
A armadura deve ser revestida,
como um soldado se prepara para a batalha, equipando-se com as peças de
proteção e de defesa de seu equipamento. As partes da armadura que,
evidentemente, são apresentados na ordem em que os soldados se vestiam
antigamente.
Armadura é tradução do termo grego panoplia, de onde vem o
termo moderno panóplia, termo
coletivo que significa armadura completa. Portanto, Paulo recomenda-nos
aqui um completo condicionamento de profundo preparo espiritual, deficiente em
absolutamente nada, dando a entender que um combate vitorioso não pode ocorrer,
se nos contentarmos com algo menos que a armadura completa.
Tantos crentes mal-sucedidos,
ilustram o fato de como não se equipam pessoalmente com todas as provisões
Divinas que lhes são propiciadas, por motivo de preguiça, de indiferença, ou
por não quererem reconhecer a seriedade da batalha e a força astuta do inimigo.
No grego original, o termo usado
fala sobre a armadura do soldado pesadamente armado. Sim, um crente bem-sucedido deve ser pesadamente armado.
A armadura procede de Deus;
naturalmente que essa armadura pertence a Ele, e a Ele cabe dá-la, pois Ele é o
padrão supremos das virtudes mencionadas, como a retidão, a verdade e a fé.
Aquelas virtudes que nos conferem vitória sobre o pecado, bem como vitória no conflito
cristão, só podem ser dadas pelo próprio Deus, portanto não são qualidades
humanas.
A nossa parte deve ser a
apropriação do poder de Deus, conforme o poder que está em Cristo, e devemos
nos revestir da armadura completa de Deus vivendo
pesadamente armado e pesadamente
protegido.
2a Parte
A palavra luta, literalmente, disputa,
mostra que nosso conflito contra o mal exige preparação, força e coragem. Tal
palavra, no original, é usada exclusivamente neste texto, focalizando a
intensidade do combate, e para que o soldado cristão saiba que deve buscar a
preparação e a força necessária. A luta contra o mal, assim sendo, deve ser
vista como uma batalha séria, em nada fácil. Talvez a derrota de tantos
crentes, em suas vidas morais, se deva ao fato de não levarem muito a sério
esse combate, mostrando-se por demais indisciplinados como soldados.
No grego, ciladas do diabo quer dizer: astúcias,
planos, esquemas, e, numa
linguagem militar, estratégias,
mostrando que não se trata de uma cilada qualquer mas sim uma cilada bem
preparada, elaborada de forma que sua aplicação obtenha profundidade no
"estrago". Sua guerra é levada a efeito por um sistema estratégico,
que procura tirar vantagem em cada oportunidade de ataque. Quando tal palavra
se aplica a Satanás, sempre indica seus maus desígnios pois ele é o grande
ludibriador, engodador, caluniador e nosso acusador. Estando Satanás no comando
das forças malignas, é obvio que toda armadura espiritual é necessária para o
crente, com toda a oração e súplica, para que as forças do mal sejam
derrotadas. O fato de que tantos crentes são derrotados na peleja é prova de
que não se tem dado a devida importância na preparação para a batalha
espiritual, adquirindo a armadura espiritual necessária e completa; e nem oram
com suficiente perseverança para que o diabo seja vencido.
As
peças da armadura
Embora as armaduras gregas e
romanas fossem diferentes entre si, provavelmente a armadura em questão seja a
romana, mas num modelo mais antigo que o visto por Paulo. A armadura inteira consistia
de escudo, espada, lança, capacete e armadura das pernas (que cobria as coxas
até aos joelhos) e eram confeccionadas especialmente para o tamanho de cada
soldado, ou seja, personalizada, sendo impossível
trocar ou manusear perfeitamente a de outra pessoa.
Paulo era um homem intensamente
viajado pelo império romano, tendo sido encarcerado e solto por muitas vezes, e
estaria bem familiarizado com as armaduras de seu tempo. Na carta aos Efésios,
o apóstolo acrescentou o cinturão e a espada em sua lista e, apesar desses dois
objetos não fazerem parte das armaduras usadas no seu tempo, eram muito
apropriados para o propósito de ilustrar o equipamento espiritual na derrota
contra o mal.
Descrição das peças que compunham
a armadura antiga usada na ilustração de Paulo.
Armas
de defesa:
(vrs 17) – o capacete, que
protegia a cabeça, era feito de várias formas e de vários metais, e enfeitado
com grande variedade de figuras. Alguns capacetes possuíam uma crista, ou como
ornamento ou com a finalidade de aterrorizar, com figuras de leões, corvos ou
grifos, etc. Paulo faz o capacete representar a salvação.
(vrs 14) – o cinto, ou
cinturão, era posto em torno da cintura, útil para apertar a armadura em volta
do corpo, mas também para sustentar as adagas, as espadas curtas ou quaisquer
outras armas que ali pudessem ser penduradas. Paulo faz do cinturão símbolo da verdade.
(vrs 14) – o peitoral, que
consistia de duas partes, chamadas "asas". A primeira cobria a região
inteira do peito, a parte frontal do tórax, protegendo os órgãos principais da
vida; e a outra cobria uma parte das costas. Paulo faz isso representar a justiça.
As
grevas, calçados como botas, protegiam do joelho para baixo.
O
escudo, de vários tipos e várias formas, nos dias de Paulo haviam dois
tipos que eram mais comuns, um deles chamava-se thureos, destinados para soldados pesadamente armados.
Armas
de ataque:
A
lança, usualmente de bronze ou de ferro, com uma longa haste de madeira
dura.
O
dardo, menor e mais leve que a lança, era atirado contra o inimigo ainda
à distância.
A
espada, que tinha várias formas e dimensões, eram feitas de vários tipos
de metais. Esse é o símbolo usado por Paulo para indicar a presença do
Espírito Santo.
Era costume, entre os antigos
gregos e romanos, depois de se terem revestido de suas armaduras, comerem
juntos e precederem o ataque com uma súplica feita aos deuses, pedindo o
sucesso. E esse costume se reflete no versículo 18, pois, além do revestimento
da armadura, Paulo nos recomenda fazê-lo com "toda oração e súplica, orando
em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança e
súplica".
"Ficar firmes", no original, significa oferecer resistência,
permanecer firme, dando a entender que o crente deve resistir aos
assédios do mal, deve batalhar com êxito, buscando obter a vitória. Essa
expressão indica a linguagem dos soldados: NÃO RECUAR JAMAIS! RECUAR? NUNCA!
Ao invés de fugir e declarando a
derrota.
O nosso desejo é que você possa
ter visto a importância de pedir ao Senhor a armadura, crendo na posse para a
sua batalha diária. E que você confie no poder de Deus fortalecendo-o.